segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A felicidade de hoje: Compersão e Ciúme

A felicidade de hoje

A necessidade básica de aprender: uma nova palavra, Compersão

A batalha por desaprender: Ciúme

ciumes

Encontrei este texto e ele reflete tão bem a minha forma de estar, que da próxima vez que me perguntarem pelo segredo de 15 anos de relação eu passo o link.

Uma mudança de comportamento só pode ser efetivada pela mudança de pensamento, caso contrário não é mudança concreta.

[] o ciúme não é natural. É um comportamento construído socialmente e aceito por tantas gerações que já viemos ao mundo numa sociedade ciumenta, sem muitos exemplos do contrário, e assim crescemos acreditando na naturalidade e necessidade dele. Há milénios atrás, antes da Era Cristã, a poligamia era natural. Não devemos esquecer que o fator histórico é muito importante para entender como vivemos hoje.[] Ora, o casamento monogâmico sendo algo elevado, a poligamia foi rebaixada a pura devassidão e com isso tudo o que pudesse indicar gosto por mais de um, indicação de não-amor. Manter o ideal de amor romântico – monogâmico, único por toda a vida, foi o que gerou os sentimentos de possessividade e insegurança com o medo da perda de um parceiro que, em tese, só pode “ter” uma pessoa apenas.

Mas não precisa ser assim. Uma das grandes mentiras que já nos ensinaram na vida é de que amor de verdade é único. O amor de verdade é múltiplo. Eis porque você tem a capacidade de amar tantas pessoas. Eis porquê você ama seus parentes, seus amigos, seus animais de estimação e coisas mais abstratas como sua vida, sua felicidade e sua liberdade. O amor é um sentimento sem limites ou fronteiras.

[]As pessoas sempre criticam dizendo que se você admite outras pessoas, não existe amor de verdade. Por quê? Acaso o amor verdadeiro é egoísta?

Você não vai perder seu parceiro (a) se você lhe der liberdade de comprometimento, ao contrário, isso te dará paz e segurança. Por quê? Por que você não vai mais precisar se preocupar com traições porque elas não mais existirão: Quando se tem liberdade de ter outras pessoas e isso não é proibido, o “gosto” pela traição diminui. A pessoa não pensa mais como uma alternativa de escape porque ela não se sente presa[]

Naturalmente, a pessoa acaba por se voltar ao diálogo, e quão melhor não seria sermos francos e verdadeiramente amigos e confidentes de nossos parceiros? Sentar e dizer “Olha, estou gostando de uma garota muito interessante, que gostaria que conhecesse, creio que irá gostar”. Não existe ameaça nisso porque não há substituições, apenas acréscimos. Não há mais o medo de perda: Porque simplesmente não há mais a necessidade da troca. Se um relacionamento acabar, não é porque surgiu uma nova pessoa com quem ele ou ela gostaria de se relacionar, é porque ela realmente não quer mais se relacionar com você. Um término é mais tranquilo que uma substituição.

Compersão é a palavra portuguesa para o termo em inglês Compersion, que significa ausência de ciúmes, ou estar feliz com a felicidade do outro. Vou além: Não se trata de ser feliz apenas com a felicidade do outro, mas com sua liberdade, com sua paixão, com seu amor. É ser feliz que seu parceiro(a) é amado(a) verdadeiramente por outras pessoas, que é tão bem cuidado por outras pessoas quanto o é por você. É ver o amor e carinho que ele(a) sente por outros parceiros(as) e ver isso com bons olhos ao invés de maus: Você não está de fora, você faz parte da família.

Poliamor acima de tudo exige respeito. Se trata, basicamente, de estar feliz pela pessoa que você ama ser livre para amar, ser livre para se relacionar com carinho e comprometimento a outras pessoas tão interessantes quanto ela ou você.

Podemos viver a vida inteira com um só e ainda assim amar plenamente e permitir liberdade? Sim, podemos. Poliamor não é sobre ter vários parceiros a todo custo, mas reconhecer o direito e a possibilidade. Assim como amar mais de um não é uma afronta à sua individualidade. Não te torna menos especial, você ainda é único. Não se trata de “insatisfação”, mas liberdade de amar e desejo de acréscimo, não completude. Comece a pensar assim e verá o ciúme desaparecer. Talvez a frase mais sábia que eu já tenha ouvido falar na vida seja:

“As coisas que gosto deixo-as livres: Se voltarem é porque as conquistei, se não voltarem é porque nunca as tive”. A pessoa que é livre não deseja fugir. Conquiste as pessoas, não as prenda, e as terá consigo enquanto houver amor e respeito.

http://poliamores.blogspot.com/2010/01/compersao-o-oposto-do-ciume.html

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Casamento homossexual aprovado em Portugal

casmgayarp2 A proposta de Lei nº 7/XI, apresentada pelo governo, que permite o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo foi hoje, 8 de Janeiro de 2010, aprovada pelo parlamento português, com os votos a favor do PS, PCP e BE, sete abstenções do PSD, votos contra do CDS, PSD e dois deputados do PS. Aprovado o diploma vai baixar agora à comissão.

Apesar da  proposta de lei do Governo exclui a possibilidade de adopção por casais homossexuais, a votação na assembleia da republica que estabelece a igualdade no casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, é mais um passo importante no fim das descriminações impostas aos cidadãos portugueses com base na sua orientação sexual e uma boa forma de celebrar o 100º aniversário da Republica de Portugal.

As propostas do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV), que incluía a igualdade no acesso à adopção por casas homossexuais for rejeitada pelos votos da direita e do Partido Socialista.

Passo a passo se fazem as conquistas possíveis e hoje é um dia para celebrar.

Os meus agradecimentos a tod@s os activistas dos direitos humanos que ao longo de décadas dedicaram tanto da sua vida para que mais este passo a caminho da igualdade.

Comediante lésbica portuguesa protesta lançamento de livro anti-casamento homossexual

HMartins A orientação sexual não se escolhe, mas pode condicionar outras opções, como o casamento, defendeu a activista lésbica Helena Martins, que hoje protestou contra a data escolhida para lançamento do livro "Porque Não - Casamento Entre Pessoas do Mesmo Sexo".

O livro, escrito pelo juiz de Direito Pedro Vaz Patto e pelo sacerdote Gonçalo Portocarrero de Almada, foi apresentado hoje na livraria Alêtheia, em Lisboa, a dois dias de serem discutidas e votadas, na Assembleia da República, as propostas de Governo, PSD, BE e Partido Ecologista Os Verdes e também uma petição por um referendo sobre o casamento homossexual.

Segundo Helena Martins, fundadora da associação Lesbians Out Loud, que tentou, em vão, organizar uma manifestação para hoje, o protesto "nunca seria contra a publicação" da obra da Alêtheia, "pois as ideias devem ser debatidas", mas "contra a altura escolhida para o lançamento".

"É um facto que as editoras têm livros para vender e que o lançamento nesta semana faz todo o sentido em termos de marketing, mas os autores e a editora têm de ver que há pessoas que podem sair lesadas com este tipo de ideia", declarou a activista de 37 anos aos jornalistas, à margem da sessão.

Justificando a impossibilidade de concretizar a manifestação por ser "muito complicado pedir às pessoas que dêem a cara", Helena Martins - que assume a sua homossexualidade "na família e no trabalho" - afirmou que o que os autores do livro estão a fazer é "continuar a instigar à homofobia e à exclusão".

"Quero mostrar que, se me espetarem uma faca, eu sangro, se me magoarem, eu choro, e que tenho direito a viver a minha vida em pleno. Não o faço neste momento porque o facto de haver leis para uns e leis para outros ou a não inclusão, na lei, de todos, permite a discriminação", declarou.

"Onde fica a minha dignidade quando eu não posso assumir certos direitos com a pessoa com quem estou? Eu e a minha companheira preparamo-nos para viver juntas e temos a intenção de casar, se a lei for para a frente" e "mesmo que não quisesse casar, é importante ter liberdade de escolha", sublinhou.

Afirmando que "a orientação sexual não é uma questão de opção", pois se tivesse podido escolher era heterossexual, já que "tudo seria mais fácil", Helena Martins, directora de vendas web em Lisboa, contou aos jornalistas que viveu um período "muito tortuoso", durante dois anos, até assumir a sua homossexualidade.

A activista, que fundou a associação Lesbians Out Loud em Londres, onde viveu durante seis anos, e que é comediante lésbica (http://www.helenamartins.com) nos tempos livres, foi "completamente heterossexual até aos 18 anos" e "sonhava casar", não tendo podido ainda concretizar esse plano devido à sua homossexualidade.

Helena Martins considera ainda que "não compete à maioria referendar os direitos ou liberdades das minorias", pois "se assim tivesse sido sempre ao longo dos anos, hoje ainda teríamos muitas injustiças em todo o mundo".

Fonte: Lusa e Ionline

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Governo aprova amanhã casamento homossexual

casam lesbicas União entre pessoas do mesmo sexo na agenda do Conselho de Ministros de amanhã. Proposta de lei do Executivo centra-se no essencial  em três artigos do Código Civil: o que estabelece que o casamento é entre  pessoas de sexo diferente; o que declara a inexistência do casamento entre homossexuais; e o que confere direitos de adopção a pessoas casadas

O casamento entre pessoas do mesmo sexo vai amanhã a Conselho de Ministros. O tema consta da agenda ministerial e o objectivo passa por aprovar desde já a proposta de lei. O que só não sucederá se forem levantadas dúvidas quanto ao articulado proposto.

Ao que o DN apurou, o Governo prepara-se para viabilizar a união entre pessoas do mesmo sexo através da alteração a três artigos do Código Civil. A começar pelo inevitável 1577, que actualmente estabelece que o "casamento é um contrato celebrado entre duas pessoas de sexo diferente que pretendam constituir família mediante uma plena comunhão de vida". Além deste ponto, de onde desaparecerá a expressão "de sexo diferente", deverá ser revogada uma das alíneas do artigo 1628. Este ponto do Código Civil define várias situações em que um casamento é considerado "juridicamente inexistente", sendo que uma delas é precisamente a união "contraída por duas pessoas do mesmo sexo".

O articulado que irá amanhã a Conselho de Ministros deverá também propor alterações ao artigo 1979 do Código. Que, no número um da versão actual, estabelece que "podem adoptar plenamente duas pessoas casadas há mais de quatro anos e não separadas judicialmente de pessoas e bens ou de facto, se ambas tiverem mais de 25 anos".

Com a alteração a esta formulação, o Executivo pretende deixar expresso o impedimento de um casal do mesmo sexo poder adoptar uma criança. O primeiro-ministro, José Sócrates, já deixou claro que o compromisso eleitoral do PS se reporta apenas à legalização do casamento e não à possibilidade de adopção por casais do mesmo sexo.

Com a aprovação em Conselho de Ministros, a proposta de lei que acabará com a interdição ao casamento homossexual dará entrada na Assembleia da República a tempo de ser debatida antes da discussão do Orçamento do Estado, que entrará no Parlamento em meados de Janeiro.

A iniciativa do Governo tem aprovação garantida pelas bancadas à esquerda do hemiciclo. Já a direita promete contrapor à iniciativa do Executivo uma proposta para a criação da união civil registada, uma nova figura legal específica para as uniões homossexuais. Um cenário que já foi admitido pelo líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, mas também pela bancada dos democratas-cristãos, mas que contará com a oposição de socialistas, comunistas, bloquistas, e do PEV.

Recorde-se que estes dois últimos partidos avançaram na última legislatura com projectos de lei para a legalização do casamento homossexual, que foram então chumbados pelo PS, com o argumento de que o partido não tinha apresentado esse compromisso aos eleitores.

Mesmo com aprovação garantida no Parlamento, o diploma do Governo terá ainda de passar pela promulgação do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Mas, mesmo em caso de eventual veto, os deputados poderão reaprovar o diploma por maioria simples, após o que o Presidente da República terá de aprovar a proposta.

Fonte: DN

Será gay … será lésbica … ou talvez heterossexual

Quem sabe um dia será gay … será lésbica … ou talvez heterossexual…

Em qualquer caso a família e o sistema educativo deverão garantir o desenvolvimento integral da pessoa.

Um poster da AMPGYL.  Fonte: http://amplosbo.wordpress.com

 

Parabéns Ana Beatriz, e que sejas tudo o que quiseres vir a ser!

 

Marcas Technorati: ,

O ataque ao casamento homossexual indicia uma fixação no sexo e no poder

Por Inês Pedrosa, @ Expresso


A converseta moralucha em torno do casamento dos homossexuais recorda-me aquele fulgurante poema de Sophia de Mello Breyner que começa assim: "As pessoas sensíveis não são capazes/ de matar galinhas/ porém são capazes/ de comer galinhas". Não se pode chamar debate ou discussão ao que é apenas um tricô de preconceitos, uma espiolhagem salivante sobre a vida íntima dos outros.

Os homossexuais têm o mesmíssimo direito ao casamento que todas as outras pessoas, porque o contrato de casamento não se estabelece a partir do tipo de práticas sexuais dos que o contraem. A 'ideia' de que o casamento tem por objectivo a procriação, como afirma a dra. Manuela Ferreira Leite, não é confirmada pela lei de nenhum país democrático, talvez porque nem sequer se lhe pode chamar 'ideia': não passa de um fogacho de autoritarismo deslocado. O casamento não é fácil - e toda a gente sabe que não é a procriação o que o sustenta. Demasiadas vezes, pelo contrário, a mimosa prole estoira com essa relação de carne e alma entre dois adultos. Há gente para tudo, mas, em geral, o sexo não suporta a transfiguração dos amantes em papá e mamã.

O casamento é uma decisão extraordinariamente séria. Os heterossexuais tendem a esquecê-lo, porque podem casar e descasar sempre que lhes apetecer. Desde que procriem, segundo os fanáticos da procriação, não há problema. Mas basta olharmos à nossa volta para verificarmos que é exactamente esse o problema: o frenesim da procriação atenta contra os direitos dos procriados, aqueles a que na adolescência passamos a tratar por malcriados. As novas gerações crescem num hipermercado de mães e pais que mudam de mês a mês como as promoções especiais. O mais elementar bom senso confirmará que uma criança adoptada por um casal homossexual estável terá muito mais hipóteses de desenvolver as suas capacidades do que uma outra - e são tantas, basta abrir as revistas ditas cor-de-rosa para o confirmar - que viva de 'tio' em 'tio', de madrasta em madrasta, até à perda de referências final.

O bom senso só não nos pode meter isto pelos olhos dentro porque, em Portugal, o cenário de um casal homossexual com filhos é inexistente. Por causa da moral de esquina, hipócrita, opressora, da maioria amorfa. O lado esquerdo dessa maioria diz coisas como: "Eu não tenho nada contra a adopção por homossexuais, mas o problema é que a criança vai ser discriminada na escola". Estes são os mesmos que há trinta anos diziam: "Eu não sou racista, mas não gostava que o meu filho casasse com uma negra porque as crianças seriam discriminadas na escola". Agora abanam a cabeça, enervados, e dizem: "Não, não é a mesma coisa: porque a criança necessita de um modelo masculino e de um modelo feminino". Que modelos são esses, nesta fase de mutação acelerada em que as mulheres ganham autoridade e os homens doçura? Que modelos eram esses - o pai que bebia e batia, a mãe que apanhava e chorava? O pai que mandava, a mãe que obedecia? O centro dessa maioria diz: "Não sou contra os casais homossexuais, arranjem-lhes leis que os protejam, mas não lhe chamem casamento". Estes estão imbuídos de uma noção de superioridade: chamem-lhe outra coisa, para não atingirem essa coisa sublime a que só nós, os que fazemos o sexo do qual podem

nascer bebés, temos direito. A direita dessa maioria diz simplesmente: "Vivam lá a vida deles, mas discretamente". Ou seja, às escondidas, como os senhores faziam filhos às criadas.

O mundo já caminhou o suficiente (no Ocidente, claro), para entender que as crianças precisam de adultos que as amem. Um homem e uma mulher. Ou só um homem. Ou só uma mulher - os filhos dos viúvos, como se criam sem o tal modelo outro? Ou dois homens. Ou duas mulheres. As crianças precisam de modelos de amor. O amor, qualquer amor, ilumina. Os que se amam devem ter o direito à partilha e à herança um do outro. Devem ter o direito a acompanhar-se na saúde e na doença, em casa e no hospital, até ao último suspiro. As pessoas que pretendem negar a outras pessoas o direito ao casamento, fundamentando essa recusa no tipo de práticas sexuais dos outros, estão certamente a precisar de tratamento psiquiátrico. Porque só pensam em sexo e em poder, e há outras coisas na vida, muito mais importantes. A começar pelo amor.

Texto publicado na edição do Expresso de 5 de Dezembro de 2009 negritos da minha autoria. Aqui o divulgo por o achar delicioso…

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A defesa do consumidor em Portugal – Relato de uma visita ao CIAC da Amadora

Segundo o site da CMA, o CIAC – Centro de Informação Autárquico ao Consumidor é um gabinete autárquico de defesa do consumidor.
Os direitos do consumidor encontram-se devidamente salvaguardados e consagrados na lei e direito…

Não sei se é por ter ido ao CIAC de um dos concelhos com a defesa consumidorpopulação mais violenta, pobre e iletrada do País, ou se as normas são genéricas a todos os CIAC mas, quando apresentei o caso de um conflito com um empreiteiro que me tem restringido por longos 16 meses o uso, fruição e disposição do meu imóvel, a técnica do CIAC apresentou-me as seguinte alternativas:

1 - Aceitar o trabalho com os defeitos, abdicar dos meu direitos, pagar e calar.

2 - Ir para tribunal e esperar 10 anos ou pelo arquivamento.

Foram também apresentadas outras soluções ditadas pela “sua prática”:

3 – Rescindir o contrato e contratar outro empreiteiro da minha confiança. Respondi que se conhecesse algum profissional de confiança desse ramo o teria contactado de início. Informou-me então que tinha conhecimento de alguns e que me poderia fornecer o contacto de empresas da sua confiança.

4 – Vender a casa e passar o problema para outros. (Mudei de posição na cadeira, abri a boca mas controlei-me e deixei continuar a exposição de informação de defesa dos consumidores)

4- Nas negociações ou trabalhos, sendo eu mulher não deveria estar sozinha com empreiteiro mas ter presente um HOMEM forte e que fale alto e imponha respeito.

Foi nesta altura que saltei da cadeira e lhe perguntei se sabia o que me estava a propor.

A resposta que obtive “Mas é assim que as coisa funcionam. Você não nasceu ontem, pois não?”

Perguntei-lhe que tipo de sociedade as suas indicações fomentava e ela repetiu “Você não nasceu ontem, a maioria destes casos resolvem-se à paulada.”

Incrédula virei-lhe costas e dirigi-me à saída. Voltei-me e disse-lhe “Ou ao tiro!” e ela respondeu “Ainda não!”.

Estou plenamente convencida que com tipo de este aconselhamento, que não duvido ser baseado na prática, o futuro que se advinha aproximasse a grande velocidade. Lamento não ter tido frieza suficiente para verificar se me iria também disponibilizar os contactos dos homens da sua confiança que, na prática, lhe resolvem os conflitos de consumo à pancada.

Respirei fundo e dei por encerrado o primeiro tema até porque esse assunto já estava a ser mediado por outra entidade e eu pretendia apenas informação complementar.

Tentei então ganhar alguma coisa com a minha visita e expor o segundo assunto que me tinha levado ao CIAC: pedido de ajuda na interpretação do clausulado do meu contrato de seguro, no sentido de conhecer os meus direitos para forçar a activação da Protecção Jurídica que tem feito a mediação durante estes 16 meses e não me dá autorização para constituir advogado, rescindir o contrato e pedir indemnização. Nessa altura informou-me que não estava no âmbito do CIAC tratar dessa questão, aproximou-se de mim, apesar de até essa altura ter tido uma constante preocupação de manter a distancia física impedido-me mesmo de me dirigir à sua secretária para indicar algum elemento  na documentação, abriu a porta e disse para eu sair.

Tinha antes assistido a um exercício de poder numa discussão com uma colega sobre quem ia almoçar naquela altura (a colega não estava a atender cliente algum, mas suponho que faça parte do código de conduta de quem assumiu recentemente responsabilidades acrescidas, como fez questão de referir). Consciente da importância dessa discussão, que a fez interromper o contacto telefónico que estava a manter, propus-me a voltar numa altura mais apropriada. Informou-me então que não deveria voltar ao CIAC por esses motivos.

Eu estou indecisa na minha próxima acção. Alguém de cabeça fria me dá uma ideia.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

“Cracks” de Jordan Scott com Eva Green

cracks-0908-01O filme Cracks é esperado com expectativa para 2010.

Jordan Scott, filha de Ridley Scott, dirige no seu primeiro filme Eva Green, e apresenta uma história passada num internato feminino Inglês em 1934, em que Miss G, uma enigmática e envolvente professora que inspira um pequeno grupo de meninas que fazem parte da equipa de mergulho, a obterem o que é mais precioso na vida. “O mais importante da vida é o desejo”. A chegada de uma nova aluna espanhola (Maria Valverde), vai colocar as suas vidas num caos, como só uma paixão obsessiva consegue fazer.

Segundo Eva a cena de sexo lésbico poderia ter mais fidedigna ao livro em que o filme de baseia e ter mais “intensidade” sexual. Curioso é como Welton Trindade em 07.12.2009 no site paroutudo.com dá título à notícia “Eva Green queria ser uma lésbica mais machona”. Lésbica machona só porque demonstra e concretiza o seu desejo sexual é, seguramente, um rótulo para uma lésbica equivalente a ninfomaníaca ou histérica para uma mulher heterossexual.  Mais uma revelação de preconceito numa sociedade machista, longe de ser equalitária e a necessitar de educação sexual intensa.

Classificado com 2/5 pelo “The guardian” de 4 de Dezembro de 2009, mas nomeado no Toronto International Film Festival e no London Film Festival, mostrará algumas falhas mas apresenta uma boa fotografia e está por mim marcado com “A Ver”.

O meu convite para assistir ao trailer comentado por Eva Green

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

FeministizARTE – Festival de Arte Feminista

feministizarte O Núcleo de Braga da UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta), constituído por jovens voluntários e voluntárias, desde Março de 2008, pretende despertar a consciência feminista dos bracarenses. Na busca de uma sociedade mais justa e equitativa nos diversos contextos, o Núcleo da UMAR de Braga procura imprimir inovação, criatividade e dinamismo nas suas acções.

Neste sentido, dispôs-se a reunir, no Museu Regional de Arqueologia Dom Diogo de Sousa, o Museu Nogueira da Silva e na Torre de Menagem, produtos artísticos de jovens criadores nacionais e internacionais das mais diversas áreas, relacionados com as temáticas feministas. O FeministizARTE – Festival de Arte Feminista – a decorrer a 27, 28 e 29 de Novembro próximo, englobará exposições permanentes de livre acesso, contando com as participações de Ana Pereira, André Alves, Carla Cruz, Cristiana Miranda, Maciel Cardeira, Maria Lusitano Santos, Nádia Duvall, Poderiu, Renato Roque, Rosa Vaz, Suspiria Franklyn; e, apresentações pontuais com bilheteira de AbztraQt Sir Q., Carla Cruz, GATA (Grupo de Activismo e Transformação pela Arte), Flávio Rodrigues, Micaela Maia e Teresa Vila Verde.

A par destas, está agendada, para dia 28 de Novembro, uma tertúlia sobre Arte e Feminismos com as presenças de Ana Gabriela Macedo, Ana Paula Canotilho, Angélica Lima Cruz, Cristiana Pena, Maria José Magalhães.

Ler + em FeministizARTE – Festival de Arte Feminista

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Dados sobre o mercado lésbico

mulheres-3001Já se interrogou sobre a razão de existir mais cultura lésbica produzida no Brasil do que em Portugal, e mesmo assim  em tão reduzido número? Talvez a análise dos seguintes dados sobre o mercado lésbico brasileiro lhe suscite interesse:

:: O mercado homossexual brasileiro é composto de aproximadamente 5 milhões de lésbicas economicamente activas. (A totalidade da população de Portugal é aproximadamente de 10 milhões.)

 

:: Dos 25 mil títulos editados anualmente somente um a cada três ou quatro anos é de literatura lésbica.

:: Do total das obras existentes em catálogo das centenas de editoras brasileiras, algo como 5 milhões de títulos os mais variados, apenas 75 são obras de literatura lésbica.


:: Segundo o IBGE 10% da população brasileira é formada por homossexuais.

:: Uma em cada 10 leitoras é homossexual.

:: O estudo Mosaico Brasil de 2008 revelou que 5,2% das mulheres já se relacionou com outra pelo menos uma vez na vida.


:: Manaus é uma das capitais com mais lésbicas: 10 % da população feminina se declara homo ou bissexual. Cuiabá na direção oposta só tem 2,6% de mulheres homossexuais.

:: A internet é o ponto de encontro das lésbicas. O site Parada Lésbica recebe 20 mil visitas por dia e abriga a rede social Leskut, com 19 mil perfis e cerca de 100 adesões diárias. O portal Dykerama tem em média 4,5 mil visitantes por dia.

 

Pesquisa realizada pela APOGLBT (Associação da Parada do Orgulho GLBT) em parceria com a SEDH (Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República) na Parada Gay de São Paulo em 2006 provou o potencial deste mercado. Os números mostraram que a renda individual mensal das mulheres lésbicas é próxima à renda individual mensal dos homens gays. O estudo comprovou, também, que o mercado lésbico é tão promissor quanto o mercado gay masculino.

A mim parece-me que o mercado lésbico é um mercado potencial não aproveitado.

Gostaria de ter mais oferta de produtos culturais e artísticos dedicados ao público lésbico?

Considera que os produtos existentes em língua portuguesa deveriam estar mais acessíveis nos restantes países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)?

Acredita no potencial do mercado lésbico lusófono?

Fontes: http://www.sortimentos.net/?p=3813 http://www.gaybrazil.com.br/noticias.asp?Categoria=Radar&Codigo=3487

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Encontro Lésbicas: escritoras brasileiras

venus les O encontro Lésbicas: escritoras brasileiras, acontece no dia 21 de novembro 2009 na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo, e irá abordar temas sobre literatura lésbica e suas autoras pioneiras, como Cassandra Rios e Sandra Mara Herzer, e escritoras que ousaram publicar sem pseudônimo histórias livres de preconceito, como Valéria Melki Busin, Fátima Mesquita, Lúcia Facco e Vange Leonel.

A idéia é  apresentar as editoras que abriram espaço para este movimento homossexual, como Edições GLS, Brasiliense, Record e a própria Malagueta,
que comemora um ano com o posicionamento exclusivo de lançar autoras e obras que sejam de lésbicas para lésbicas. O momento também coincide com a incrível explosão de sites com espaço para publicação de textos de lésbicas, que começou com Xana In Box e Fator X, e hoje se espalha pela rede com abcLES, Parada Lésbica, Dykerama, Livre Arbítrio, dentre outros.

Participarão do encontro Karina Dias e Mariana Cortez, as próximas autoras da Malagueta; as poetisas Fênix e Luka Azull; Érika Cristina, a idealizadora do site Livre Arbítrio e Laura Bacellar, editora responsável pela Malagueta.
Para completar e apimentar o encontro, Hanna Korich (a Sarah Bernard das leituras dramáticas lésbicas) vai interpretar trechos insinuantes de obras de algumas das autoras presentes.

Os nossos parabéns pela iniciativa.

Nós outras, fisicamente longe de S. Paulo, gostaríamos de estar convosco. Será que não é possível colocar na internet um vídeo do encontro? Ficamos ansiosas …

Encontro Lésbicas: escritoras brasileiras
:: Quando : dia 21 de novembro, sábado, às 16 horas
:: Onde : mezanino da loja de artes da Livraria Cultura do Conjunto Nacional  São Paulo
:: Telefone : (11) 3170-4033

Um evento promovido pelo site Livre Arbítrio e pela Editora Malagueta
Com o apoio da Livraria Cultura e do grupo Espargírica

Participantes:

Fênix é poetisa de São Paulo, começou postando suas poesias no Xib em 2005, hoje posta no Livre Arbitrio e tem o blog: http://poesiasfragmentosdaalma.blogspot.com.

Luka Azull tem 36 anos, é poetisa e paulistana, começou postando no Xib e hoje posta no Livre Arbitrio. Formada em Educação Física, trabalha com equilíbrio energético e yoga.

Érika Cristina tem 22 anos, está cursando Administração e Marketing e teve a ideia de criar o site Livre Arbítrio porque sentia falta de um espaço para lésbicas que não se restringisse a contos eróticos.

Karina Dias, nascida no Rio de Janeiro em 1979, reside actualmente em São Paulo. Cursa Jornalismo na Universidade Católica São Judas Tadeu e é autora de nove romances e um conto de temática lésbica postados na internet, entre os quais De repente é amor, Simplesmente irresistível, Quando o amor acontece.

Mariana Cortez é conhecida por seus contos publicados em sites de literatura lésbica. É editora formada em Letras e especialista em Língua Portuguesa. Participou da colectânea de contos Elas contam e, actualmente, escreve para o portal Livre Arbítrio.

Laura Bacellar trabalha no mercado de livros há mais de vinte anos, sendo responsável pela primeira editora lésbica da América Latina, a Editora Malagueta

Fontes: http://www.sortimentos.net/?p=3813  http://www.editoramalagueta.com.br/editora2/home/3-notas-e-eventos/83-lesbicas-escritoras-brasileiras.html

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Os analfabetos de Felgueiras correram com a Fátima. Os licenciados de Oeiras mantiveram o Isaltino.

A noite de domingo já ia longa mas ainda fiquei a ver o “eixo doburro com livros burro carregado de livros burro doutor santa nostalgia_thumb[2] mal”. Ganhei a melhor frase da noite eleitoral autárquica.

Luís Pedro Nunes, citou uma frase surgida no Twitter "Os analfabetos de Felgueiras correram com a Fátima. Os licenciados de Oeiras mantiveram o Isaltino"...

Deu-me que pensar para mais umas horas sobre ensino formal e a inteligência emocional; os valores e a ética na sociedade Portuguesa e em especial, na elite Portuguesa.

Se os dirigentes políticos  são corruptos, desonestos ou incompetentes e os eleitores votam neles deveria existir uma lei que os os proibisse de se candidatar dizem algumas vozes ao longo da noite.

Pressupõe essa solução que a justiça funciona. Definiu o bastonário dos advogados a justiça Portuguesa com uma palavra “fujam”. Não me parece que uma lei seja a única solução.

Se não surgirem soluções e acções para a sociedade evoluir  a abstenção em Portugal vai continuar a subir, tal como as vozes que clamam por um novo Salazar, os votos no PP e as actividades do PNR.

Está a esquerda em Portugal a fazer a diferença? A minha opinião é que esta semana é uma oportunidade de saber se as pessoas que fazem esquerda aprenderam alguma coisa com os que pensam e votam esquerda.

A votação em Lisboa pode ser um exemplo do caminho que temos a percorrer.

Será que Manuel Alegre tem a visão certa e a luta da esquerda deve ser feita dentro do PS?

Agora que existem directas no PS, vamos assistir a uma inscrição massiva de eleitores, simpatizantes e militantes de esquerda no Partido Socialista para que, rendidos à bipolarização, o PS seja um partido que governe à esquerda, de acordo com a vontade expressa da maioria absoluta dos Portugueses?

É esta a altura de engolirem o grande sapo, pegarem no telefone e enviarem a ordem “inscrevam-se no PS mas continuem com o coração vermelho”?

Vamos reflectir profundamente…

Marcas Technorati:

sábado, 11 de julho de 2009

Monólogos da Vagina

MONLOG~1

Usar as palavras para referir a anatomia sexual das mulheres é o primeiro dos desafios propostos. Você quando se refere ao seu centro como lhe chama? A resposta a essa pergunta é reveladora. Por exemplo se lhe chama “lá em baixo”…

A segunda abordagem é a visual. Sabe quantas mulheres nunca viram a sua vagina? Pode ser um exercício diário de auto-estima.

Os odores são um tema que se encontra bem escondido. Qual o cheiro da sua? Qual o cheiro do seu orgasmo? Considera-o agradável, saboroso? A que deve cheirar? A flores, a mar ou a c@n@?

Pois é, vai encontrar algumas palavras fortes, muitas situações cómicas, muitos espectadores incomodados mas muitas mulheres que levam para casa assunto para reflectir.

Escrita em 1996 por Eve Ensler* esta peça de teatro é baseadas em entrevistas realizadas pela autora a mais de 200 mulheres de todo o mundo e diversas realidades. "Os Monólogos da Vagina" narram histórias do quotidiano feminino, revelando intimidades, vulnerabilidades, temores e vitórias. Chama a atenção para assuntos como a violação, a menstruação, a mutilação, o prazer, as infidelidades conjugais ou as terapias de grupo desconstruindo tabus e usando as palavras.

Encenação de Isabel Medina, com Ana Brito e Cunha, Guida Maria e São José Correia. Em cena no Casino de Lisboa (vá sem problemas) de Quarta-Feira  a Sábado às 22H00 e Domingo – 17H00 até 31 de Julho 2009. Preço: 18€ a 22€ Reservas: 707 234 234

* Eve Ensler é uma dramaturga de renome internacional e autora de peças como The Treatment, Necessary Targets e O Bom Corpo. Activista e fascinante figura pública, Ensler é fundadora e directora artística do Dia-V (www.vday.org), um movimento global para pôr termo à violência de que as mulheres são alvo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Doutras Cores

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[Uma vez estava com a minha filha em Lisboa, a andar na rua e uma senhora aproximou-se:"Que linda menina, de que cor és tu?" Ela olhou para ela e disse: "Eu sou uma pessoa sabes?As pessoas tem muitas cores.Vê lá o meu cabelo é preto, a minha língua é vermelha, os meus dentes são brancos e a minha pele é castanha. Nós temos muitas cores"] José Eduardo Agualusa

Como ele ainda nos diz , "as crianças são capazes de ver coisas que nós nunca vimos" e "nós vamos envelhecendo e vamos ficando cegos. Para o mundo.Para a evidência.Para a inteligência".
E se aprendêssemos mais com as crianças?

Fonte: http://wwwdoutrascoisas.blogspot.com/